Há pessoas que nos falam e nem as escutamos, há pessoas que nos ferem e nem cicatrizes deixam mas há pessoas que simplesmente aparecem em nossas vidas e nos marcam para sempre. Cecília Meireles
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ARLEY, MEU AMOR
Arley, meu único amor
Fortaleza,
29 de agosto de 2017
Sei
que onde estás não poderá responder a esta carta, como fizestes há tantos anos quando nos correspondíamos, na juventude de
nossas vidas, durante sua ausência na viagem à Teresina.
Naquele
tempo nossas palavras eram de amor eterno, cheias de ternura tal quais as
chuvas finas de uma madrugada feliz. Tantas cartas, palavras amorosas, frases românticas.
Ah!
Se o tempo voltasse e pudéssemos resgatar os momentos de encontro, as pequenas
discórdias, as alegria e promessas mil! Ah!
Se o tempo fosse como as nuvens que vão e vem de formas diferentes,
enchendo nossos olhos de imaginação. Um tempo flexível, fundante, com frestas
que permitissem o retorno de circunstâncias de amor! Ah! Se o tempo na sua
infinitude permitisse os reencontros dos amantes! Ah! Se Deus permitisse
tocá-lo, sentir seu rosto , suas mãos fortes e nossos espíritos se fundissem
num só, conforme Sua Vontade.
Arley,
meu amor. Sinto saudades das nossas conversas, das noites compartilhadas, dos
olhares de cumplicidade e dos segredos que sempre nos uniram. Lembra-se meu
amor das brincadeiras inocentes e dos jogos divertidos!! Recordo vivamente das
noites onde nos fartávamos de alegria incontida nos abraços quentes em
madrugadas frias.
Ah!
Arley sinto um vazio no coração e sei que não será preenchido e tu continuarás
sendo meu único amor, o amante ardoroso, o companheiro. Sei de nossos defeitos,
das adversidades, dos nossos erros, mas tenho convicção de que vivemos momentos
que jamais esqueceremos. Onde estiveres sei que tu lembrarás tua “Gina, teu “Pingo”. Eu não esquecerei jamais de teu
amor, de teu rosto e de nossa inteira entrega.
Depois
te escreverei e vou manter acesa a esperança de que possa ler as cartas que te
enviarei.
Beijos
meu amor.
INDECIFRÁVEL AGONIA DE UMA ALMA AFLITA
INDECIFRÁVEL AGONIA
DE UMA ALMA AFLITA
Regina Barros Leal
Eis que estou a pensar nele
Saudades... Infindas saudades
Seu olhar perdido numa estranheza impenetrável
Suas mãos quentes presas ao peito doído
A dor estava presente na agudez do sofrimento
Tenta-se combatê-la. Mas permanece escondida nos recantos do
ser
De novo a ruga na testa e o rosto encrespado denunciando
desconforto
Assistir a esses momentos paralisou meu olhar e congelaram
meu ser!
Perdida nos recantos
da perda iminente refugiava-me na fé que acalenta
Ah! São tantos os sentimentos que afloram na circunstância
adversa
A alma sangrava e pedia perdão pela incapacidade de evitar a
perda
Quantas horas perdidas! Diálogos truncados, palavras não
ditas
Sufocada pela impotência mergulhava na escuridão da dor da
ineficácia
A substancia que anestesia a dor , penso que anestesiou a consciência
Breves sussurros... Rápidos olhares e o arfar do peito cada
vez mais lento
Não se esquece os momentos tristes, as horas, os minutos e
segundos da lenta partida
Choro e as lágrimas encharcam minhas vestes cinza de
tristeza, nesse momento amargo
Não sossego meu coração no pensamento racional, na
razoabilidade da frase “o tempo cura”
Somente Deus pode me dar paz e acalmar meu coração
Saudades do meu amor eternizado no coração e na memória
afetiva!
sábado, 15 de abril de 2017
Minhas palavras iniciais
MINHAS PALAVRAS INICIAIS
Regina Barros Leal
Talvez
não saiba ao certo como tudo começou. Sei do dia em que fiz minha primeira
crônica. Inquieta por não conseguir conciliar o sono, resolvi escrever. Veio
quase de súbito a lembrança da cena no Shopping.
As idéias fluíam impulsivamente. Foi inusitado! A emoção invadiu-me por haver
descoberto a preciosidade da inédita circunstância.
Assim,
iniciei minha travessia. Receosa, tímida, mas determinada a escrever. Descobri
que posso deixar um legado, expressões de uma mulher que, em sua maturidade,
decidiu enveredar por uma trilha que, a meu ver, não terá volta. Não sei o que
virá depois, apenas constatei querer continuar. Despretensiosamente, penetro
nesse universo subjetivo, deleitando-me com o que produzo, ora resgatando lembranças, ora contando fatos
visíveis ao meu olhar atento ao
cotidiano, em outras, a narrativa de emoções e experiências permeadas de
valores sociais, éticos e humanos. Lembro-me também do diário de adolescente,
das cartas escritas aos filhos, dos bilhetes apressados quando das viagens
aligeiradas de trabalho, das poesias juvenis, das cartas de amor, enfim, sutis
vestígios de tempos preciosos.
Sou
uma mulher comum e, por sê-lo, relato fatos corriqueiros, cotidianos,
recortados de subjetividade feminina na tentativa de expressar, com sutileza
terna, a complexidade, acoplada à simplicidade de meu olhar sobre a vida, quer
em tempos idos, quer em ocasiões presentes.
Fagulhas
Literárias não busca retratar toda a trama e a extensão dos significados
humanos de minha existência. Contudo, desnuda fragmentos de uma trajetória ao
longo desses anos, marcando pois, uma singularidade que se mistura aos outros
eu que foram indispensáveis em minha história.
Nesse percurso, revejo pessoas que
se fizeram presentes, ambiências e espaços entrelaçados de amor, saudade,
sonhos e projetos, bem como dor, ansiedade, desabafos e revelações costuradas
com serenidade.
Solidão
Regina Barros Leal
O quarto escuro, as janelas
fechadas e pouca ventilação. Deitado, ele se entregava ao desencanto da vontade
perdida. A dor n'alma fragilizava suas forças. Lamentava-se... Um longo
lamento... Falas silentes da solidão.
Na
mesa ao lado, um maço de cigarros e, no cinzeiro de um verde opaco, restos de
cinzas. O cheiro era forte, não só da nicotina que impregnava o ambiente, mas o
odor forte da desilusão, do desencanto de uma alma sofrida revelando um cenário
marcado pelo sofrimento de quem desconheceu a ventura de ser feliz naquele
instante.
Palavras
de estimulo, de compreensão, de paciência eram ditas, mas, João não conseguia
entender. Mostrava-se atônito diante do próprio desengano e derramava o seu
olhar perdido pelos cantos do quarto escuro.
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Quem sou eu
- REGINA EM VERSO E PROSA
- Fortaleza, Ce, Brazil
- Sou uma jovem senhora que gosta de olhar o mundo de um jeito diferente, buscando encontrar o indecifrável, o indescritível, o inusitado, bem como as coisas simples e belas da vida.